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Identidade e Campo de Atuação para Profissionais de Relações Internacionais: Competências Comportamentais

As características do campo de atuação profissional variam de profissão para profissão e, da mesma forma, a identidade do profissional, o que inclui as suas competências. O profissional de Relações Internacionais é ‘naturalmente’ associado [ou deveria ser] com uma série de competências, que variam entre técnicas e comportamentais.

Na primeira coluna dessa série, intitulada “Identidade e Campo de Atuação para Profissionais de Relações Internacionais: integração e interação”, trato da importância de criar mecanismos que gerem a integração e a interação necessárias para o profissional. A identidade profissional é construída pela ação coletiva dos profissionais para que a sociedade entenda a sua importância, e não apenas as competências técnicas o tornam um profissional de Relações Internacionais, há ainda as características comportamentais.

Faça um exercício rápido: quais características comportamentais você consegue notar nos seguintes profissionais: professor, bombeiro e internacionalista? Logo mais vou apresentar as principais para profissionais de Relações Internacionais.

Apenas para termos de contexto: o mercado para Relações Internacionais requer profissionais com uma série de competências técnicas (hard skills), quais permitem que você execute uma série de atribuições, desde elaboração de estudos analíticos, organização de eventos, condução de reuniões e, principalmente, negociações.

Então, ao entrar no mercado de trabalho, após um período de formação e capacitação profissional, você é um candidato fantástico e seu currículo apresenta os elementos esperados. Você é então orientado a elaborar um currículo com as suas habilidades e experiências: fluência em idiomas, boa escrita, domínio do pacote Office, bom conhecimento de determinados temas e uma série de certificados acadêmicos.

Mas o mercado já espera isso de você, então querem ver suas aptidões comportamentais. O currículo representa o domínio das habilidades técnicas (hard skills) e junto as empresas esperam uma demonstração das suas competências comportamentais (soft skills). Pode ser através da carta motivacional, da carta de recomendação ou da mensagem no e-mail com a sua candidatura.

O que são soft skills?

Você já deve ter ouvido falar da teoria das inteligências múltiplas de Howard Gardner!? Segundo Gardner, temos 9 diferentes inteligências, não sendo possível afirmar que uma pessoa seja mais inteligente que a outra, sendo que cada uma desenvolve um conjunto diferente delas. Uma pessoa com inteligência lógico-matemática bem desenvolvida não necessariamente terá uma boa inteligência interpessoal, essencial no campo das Relações Internacionais.

As competências comportamentais também estão relacionadas com 9 diferentes inteligências e são características pessoais. Seu comportamento faz você ser um ótimo funcionário, indo além do domínio técnico apresentado no currículo. Você pode naturalmente ter desenvolvido elas, mas também é possível, através de práticas orientadas e treinamentos específicos, adicionar novas soft skills necessárias no ambiente de trabalho.

Podem parecer simples para serem adquiridas e apresentadas, mas não é. Ainda mais difícil é para reconhecer elas: os empregadores investem cada vez mais em profissionais capazes de conduzir recrutamentos e os processos seletivos contam com diversas dinâmicas com a finalidade de identificar profissionais com o conjunto de competências desejadas.

Para auxiliar você nessa jornada, apresento as principais competências esperadas pelo mercado de trabalho no tocante ao campo para profissionais de Relações Internacionais, mas lembre-se: variam com o tempo – por isso agências especializadas como o VagasRI fazem listas anuais com as mais importantes para o mercado de trabalho.

São diversas características comportamentais que as empresas esperam dos profissionais, quais você também precisa se atentar, tais como: bom humor, pensamento crítico, criatividade, coordenação, proatividade, etc. Você pode encontrar diversas listas, mas para quem deseja ser profissional de Relações Internacionais, estas são as principais:

Inteligência Interpessoal

As empresas que contratam internacionalistas esperam por alguém capaz de se relacionar com diferenças culturais, ideológicas e sociais marcantes. A multiculturalidade é uma marca das empresas transacionais e o sucesso vem da capacidade de extrair o máximo das relações interpessoais sem criar conflitos e desavenças. 

O Internacionalista é visto como alguém apto para atuar nesse contexto, com diplomacia, liderança e muita negociação. Essa capacidade influencia significativamente sua trajetória de crescimento na empresa. Relacionar-se de forma efetiva, garante a empatia com os colegas e líderes, possibilita minimizar os conflitos, estabelecer novos amigos, ganhar seguidores e influência para obter colaboração em seus projetos.

Mediação/Resolução de Conflitos

A mediação de conflitos é associada ao profissional de Relações Internacionais e mostra a sua importância como agente de transformação. Você será comumente convidado para mediar situações complexas e que envolvem interesses conflituosos, tendo que apresentar uma boa comunicação e capacidade de gestão de pessoas. Nas organizações, o conflito é inevitável, e boas ferramentas de gestão de conflitos são essenciais.

Nas áreas de atuação do internacionalista, o conflito é uma constante. Observe a agenda internacional e veja os inúmeros casos. Confira a agenda da OMC ou do Conselho de Segurança. Ainda há muitos conflitos históricos, como o que envolve Árabes e Judeus pela existência dos Estados da Palestina e de Israel.  Diversas tentativas de mediação e resolução foram tentadas.

Diplomacia

Sábio é aquele que faz as perguntas certas. Então, sempre que possível indague o seu interlocutor e entenda suas dúvidas e suas críticas. A oportunidade está escondida atrás de uma delas. Formule as perguntas certas para identificar corretamente as oportunidades apresentadas.

A única forma de conseguir executar sua atribuição como profissional de Relações Internacionais é por meio do estabelecimento de canais reais de comunicação e de interação com os seus clientes, parceiros e até mesmo concorrentes!

A diplomacia é uma das bases para a atuação desse profissional. A única forma de conseguir resultados concretos é por meio da diplomacia (que vai além das negociações), pois é possível fazer concessões e aceitar os desafios envolvidos na transação de forma medida e compartilhada.

Mantenha sempre os canais de comunicação ativos e abertos para a construção de relacionamentos sólidos. Seja sempre cortês, até mesmo nos momentos de maiores dificuldades. Dê respostas ponderadas e que não comprometam a imagem da instituição e os negócios envolvidos.

Liderança

A capacidade de liderar pessoas e equipes efetivamente, extraindo o melhor de cada talento, para alcancem grandes resultados e fazendo com que todas as pessoas consigam trabalhar em sinergia. Esta habilidade é cada vez mais procurada por empresas de todos os segmentos.

As organizações buscam cada vez mais por profissionais que sejam capazes de tornarem-se porta-vozes de equipes e que tenham a habilidade de trabalhar como um farol, que guiará seu time, fazendo assim com que produzam trabalhos melhores e com que seus componentes tenham mais qualidade de vida no âmbito profissional.

Vale lembrar que para ser líder não precisar ocupar um cargo de gestão/chefia, pois a liderança pode ser aplicada independentemente de cargo ou função.

Negociação

No começo desse texto eu coloquei negociação como uma hard skill, mas ela também é uma soft skill. Além do lado emocional, há uma conjunção de elementos racionais e estratégicos. Há uma ampla literatura dedicada ao estudo dos elementos necessários para formar um bom negociador. Para a diplomacia brasileira, o Barão do Rio Branco é lembrado por suas eximias capacidades de liderar e negociar.

Os acordos internacionais estão na ordem do dia no campo das Relações Internacionais. Em um mundo cada vez mais globalizado, é preciso muita negociação para ter avanços em todas as áreas, tais como: meio ambiente, direitos humanos, comércio internacional e segurança internacional, selados por meio de acordos. Assuntos transfronteiriços são, via de regra, negociados por atores, sendo o Estado o principal, mas com crescente importância para: entes subnacionais, Organizações Internacionais, empresas e o próprio indivíduo.

Essa pode ser a mais importante das competências, sendo em certa medida a soma das demais listadas aqui, em especial a habilidade de liderar. Para muitos, negociar é uma arte e são poucos os internacionalistas que vão de fato desenvolver essa competência. Não importa, você deve procurar ser um analista e um negociador, combinação capaz de impulsionar qualquer indústria.

O profissional que tem estas competências comportamentais bem desenvolvidas consegue se destacar no mercado, pois ajuda a empresa em que trabalha a crescer e alcançar o sucesso, tendo impactos na cultura organizacional da empresa e na própria percepção sobre a importância do internacionalista para o desenvolvimento dos negócios e da sociedade. Entretanto, muitos bacharéis em Relações Internacionais não se atentam para esses aspectos, e quando contratados, vão ter dificuldades em se orientarem para os negócios.

Como desenvolver as competências comportamentais?

Existem inúmeras maneiras de desenvolver novas habilidades e a principal sempre vai ser através de cursos. Mas, a melhor escola é a vida. As interações sociais vão ser a base para aplicar o seu conhecimento, muitas vezes será preciso romper a descrença, o que requer o “jogo de cintura”. Algumas dicas são úteis e valem ser frisadas:

Trabalhe o seu autoconhecimento

O primeiro passo para começar a desenvolver as competências comportamentais é, primeiro, descobrir quais delas você já tem bem desenvolvidas. Ou seja, o que você deve fazer é trabalhar o seu autoconhecimento, no sentido de compreender quais são suas melhores habilidades comportamentais, aquelas que te ajudam a ter uma performance de excelência no trabalho, e quais são as que você precisa melhorar ou eliminar de suas atitudes no dia a dia, para que assim tenha a oportunidade de crescer.

Desenvolvendo o seu processo de autoconhecimento, consequentemente você desenvolve também suas competências comportamentais, visto que uma coisa está diretamente ligada à outra.

Aprimore seus conhecimentos

Outro processo no qual você pode investir também é no aprimoramento de seus conhecimentos. Quero dizer que é importante que você leia mais, sejam livros, revistas, conteúdos na internet, como este, jornais, entre outros materiais, que vão te ajudar, não só a descobri suas melhores habilidades, como a desenvolver aquelas que precisam de uma força para serem potencializadas. Procure por literaturas, podcasts e sites especializados.

Participe de palestras e eventos

Existem diversas palestras e eventos gratuitos, transmitidos até mesmo pela internet, que podem te ajudar a desenvolver suas competências comportamentais. Neste sentido, é essencial que você procure aquelas que estejam de acordo com o que você deseja aprimorar, para haja maior facilidade no momento de absorver o conhecimento e também de aplicá-lo, quando houver a necessidade de utilizar as habilidades recém desenvolvidas.

Desenvolva o seu networking

Quando conhecemos outras pessoas, independentemente da área de atuação de cada uma delas, nós trocamos informações, contamos histórias, compartilhamos e trocamos experiências, o que nos dá, cada vez mais, a oportunidade de adquirir novos conhecimentos e novas formas de desempenhar as funções de nosso dia a dia.

Sendo assim, é essencial que você invista também em seu networking, encontrando outros profissionais para aprender com eles sobre como desenvolver as competências comportamentais que eles têm, bem como a ensiná-los a desenvolver as que você tem bem aprimoradas. Dessa maneira, ocorre uma colaboração mútua, todos se ajudam e contribuem para o crescimento uns dos outros.

Dito isso, para você que deseja se tornar profissional de Relações Internacionais ou levar para um novo nível sua carreira, é sempre preciso acompanhar as tendências do mercado, mas especialmente sobre os comportamentos e habilidades mais desejadas pelas empresas. Uma forma é participar de eventos, como o Congresso de Relações Internacionais e assistir as transmissões que são interessantes para você e/ou fazer parte da ANAPRI, instituição que reúne profissionais de Relações Internacionais.

Guilherme Bueno
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